terça-feira, 23 de novembro de 2010

CRÍTICA Rodrigo Monteiro - Nove Mentiras Sobre a Verdade




"Nove Mentiras Sobre a Verdade é recheado de "coisas de teatro" e, pelos bons usos que faz delas, é um excelente espetáculo.

(...)

O trabalho cênico a que se assiste é excepcional. Diones Camargo, mais uma vez, oferece ao teatro a sua literatura cheia de imagens, de profundidade, de força, de vínculos. (...) Vanise Carneiro surpreende todos aqueles que sempre a viram em papeis coadjuvantes, protagonizando majestosamente de forma bela e competente uma história cheia de personagens, de nuances, de lugares, de tempos e, sobretudo, de potências significativas nenhum um pouco enrijecidas. Sozinha em cena, sua força de grande atriz que mostra ser empurra a barreira da denegação por cima do público. Cada vez mais, nosso olhar, assim, se prende aos gestos, a sua palavra, as suas expressões. Ficamos dentro do mundo fictício ou, pelo menos, aparentemente. A concepção tão bem amarrada atua no sentido de também tornar grandes atores os objetos cênicos: o roteiro, o lenço, o gravador, os fósforos, a camiseta. Diferente do que muita gente pensa, diretor serve para dirigir e não para aparecer. E dirigir é dosar, é controlar a expressão, é harmonizar mesmo quando a intenção harmônica é a desarmonia, o que não é o caso aqui. Nesse sentido, Gilson Vargas, que assina a direção, atinge resultados bastante positivos: nada está desafinado em Nove mentiras sobre a verdade.
(...)

O trabalho de som, as projeções e a iluminação desse espetáculo merecem atenção especial: é raro identificar tão bons usos como é fácil nesse caso. Nunca de forma redundante, mas sempre de forma bastante rica, tanto um como o outro operam no sentido de promover novas significações sem que o espectador se sinta convidado a se afastar do mote estético que propõe a obra. Em outras palavras, Nove mentiras sobre a verdade providencia espaço para refletirmos acerca de muitas ideias, mas não sobre todas."

Rodrigo Monteiro, para o blog Porto Alegre: Crítica Teatral.




quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Anotação Mental Nº 8:



"Saiba a Hora de desligar."


"Sabe que uma vez, durante uma entrevista, me perguntaram como eu tinha me tornado uma atriz. Eu fiz uma pausa dramática – aquele momento de silêncio que torna tudo o que a gente diz duas vezes mais importante, sabe? – “O fim do universo” ....fiz essa pausa e depois eu respondi que não sabia, que foi uma conjunção de fatos, uma série de acasos favoráveis, essas desculpas místicas que a gente sempre usa quando não quer falar dos fatos, sabe? É. O problema dos fatos é que eles são tãããão chatos às vezes... pra falar a verdade, quase sempre. Então eu desconversei e não respondi. Mas no fundo eu sabia a resposta. Sabia exatamente o que dizer... mas mesmo assim eu não disse. Nunca disse que eu tinha decidido ser atriz por causa do meu pai."

Lara, 27 anos, em Nove Mentiras Sobre a Verdade.






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